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quinta-feira, 20 de maio de 2010

SILÊNCIO I

Nunca pensei que o silêncio fosse tão necessário como agora. Dei por mim a gostar cada vez mais de escutar o silêncio...
O silêncio tem-me permitido o encontro... comigo. E esta descoberta possibilita-me o encontro com a natureza e até com os outros.
O silêncio não é vazio. Muito pelo contrário. E não é obrigatoriamente doloroso.
Escutar o silêncio do mar é uma experiência cheia.
Já atravessei várias vezes o mar em idades diferentes. Não me apercebi antes desse silêncio porque a vida era-me naturalmente ruidosa...
Foi, há uns anos, no canal de Vitorino Nemésio, entre o Pico e S. Jorge, que numa viagem de amigos num barco à vela, me dei conta desta pequena maravilha pela primeira vez. O mar só é ruidoso quando encontra um obstáculo ao seu vai-vem ou quando transporta de longe a tempestade. Já tive também essa experiência e foi de facto assustadora. É outra coisa.
Mas escutar aquela massa enorme infinita de água ondulante silenciosa é estranhamente magnífico. A linha do horizonte guia-nos como a mostrar-nos os nossos limites, e servem, ao mesmo tempo, de âncora à fragilidade que interiormente sentimos.
De novo essa experiência veio ter comigo recentemente no mar das Caraíbas. É profundamente gratificante, regeneradora e misteriosa.
É um silêncio que nos acompanha e que nos permite escutar o revolver da terra e o brotar do verde e da cor na paisagem de todos os dias e vê-la transformada numa Primavera renovada.

MAR
I
De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua,
onde me uni ao mar, ao vento e à lua.

II
Cheia a terra as árvores e o vento
que a Primavera enche de perfumes
Mas neles só quero e só procuro
a selvagem exalação das ondas
Subindo para os astros como um grito puro.

Sophia de Mello Breyner Andresen , Poesia I (1944)

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